O 11 de setembro mudou o mundo. Prá pior. Muito pior.

admin
Por admin setembro 11, 2016 12:21

O 11 de setembro mudou o mundo. Prá pior. Muito pior.

por Sylvio Micelli

Passava das 7h e eu já havia deixado Victor na escola, numa travessa da Avenida Angélica, num breve momento em que moramos na Vila Buarque. Aquela terça-feira, 11 de setembro de 2001, amanheceu com sol e uma leve brisa, uma gostosa temperatura de inverno a recepcionar a primavera que em breve daria suas flores e cores.

Uma consulta dentária levou-me até à rua Loefgreen, na Vila Mariana, quase ao lado da estação Santa Cruz do metrô. Quando saí do consultório, a secretária mostrava-me o “acidente” que havia ocorrido em Nova York. Até então, para mim, havia sido uma fatalidade qualquer como tantas acontecem nesta roleta-russa do cotidiano em que vivemos.

Mas não foi.

Pego o carro. Ligo o rádio. Como era de costume na Bandeirantes. Lembro-se como se você hoje. O “Manhã Bandeirantes”, apresentado pelo competente José Nello Marques começou já sabendo-se que o acidente, na verdade, era um ataque terrorista. Nos Estados Unidos, o não menos competente Eduardo Castro narrava os acontecimentos. Foi uma grande aula de jornalismo. Narração sobre a notícia. Castro descrevia a fumaça que via emergir do Pentágono, um dos alvos do ataque, como José Silvério narra os jogos “em cima” da bola.

Cheguei ao serviço. E lá todos nós observávamos, atônitos, o que estava a acontecer.

Para mim, chegou o momento mais marcante. Na mesma data estávamos numa greve no Poder Judiciário de São Paulo, a maior à época. E eu, do alto dos meus “apenas” 30 anos, era o responsável pelo caminhão de som nas tardes de assembleias da categoria realizadas na praça João Mendes. Criei até um bordão, talvez o único da minha vida e que durante algum tempo foi associado a mim, como uma marca registrada. “Vamos fazer muuuuuuuuuuuuuito barulho”. E os colegas participantes daquele movimento grevista, a plenos pulmões, gritavam, trilavam (ah… saudade de você, Fiori Gigliotti) os apitos que eram distribuídos e balançavam pequenas bandeiras amarelas, nosso material para lutar por reposição salarial.

Mas naquela tarde. Eu, que era o homem do “muito barulho”, pedi, a cerca de 10 mil pessoas na praça, um minuto de silêncio para que todos refletíssemos sobre o que estava acontecendo com o mundo. Meu pedido foi aceito. E parecia que o trânsito também havia parado. Em 25 anos de praça João Mendes, jamais “ouvi” um silêncio tão ensurdecedor.

Pois bem.

Caminhamos 15 anos. Mas… de fato, retrocedemos muito mais que 15 anos. A humanidade piorou muito depois de 2001. As armas norte-americanas continuaram ceifando vidas e gerando lucros trilionários para o maior PIB do mundo. Guerras, aqui ou alhures, pipocam todos os dias, sob quaisquer argumentos frágeis e até mesmo o voto, aqui no Brasil, já foi rebaixado para a segunda divisão.

Ainda que Tony Stark tenha tentado “mudar” as coisas, tudo não passou de cinema. Infelizmente, no mundo dos senhores engravatados, há apenas uma série de Obadiah Stane.

É verdade que não ocorreu outro ataque como aquele mas, milhares de mortos são contabilizados na Síria, na África, nas nossas comunidades e no mundo por aí. Só vamos renovando as estatísticas e criando novos heróis, estes de verdade. O ano passado foi Alan Kurdi, de três anos, que morreu afogado, quando sua família tentava fugir da Turquia para a Grécia. Este ano foi Omran Daqneesh, o garoto que sobreviveu aos ataques aéreos em Aleppo. E de ataque em ataque, nada resolvemos.

O 11 de setembro mudou o mundo. Prá pior. Muito pior.

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