Bom gosto, bons modos e bom senso

admin
Por admin julho 13, 2015 14:33

Bom gosto, bons modos e bom senso

Mas o que eu não gosto é do bom gosto
Eu não gosto de bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto…
(Senhas… Adriana Calcanhoto)

A morte trágica do cantor Cristiano Araújo mês passado, despertou não só a comoção tão comentada naquela semana, mas também revelou, em parte, um grande preconceito musical e cultural da nossa sociedade. A crônica de Zeca Camargo na Globo News repercutiu negativamente e, de fato, ela continha, elementos que, de certa forma, representava um certo preconceito, no que diz respeito ao que é um “bom gosto”, não que ele tenha falado isto diretamente em seu texto, mas nas entrelinhas isto ficou bem claro.caixa

Aqui no Brasil ou em qualquer país ocidental, podemos dizer que a “cultura ocidental” é hegemônica e, ela é praticamente imposta pela classe dominante branca. E todo este “bom gosto” vem daí… Pode ser até mesmo música de protesto, como Chico Buarque, Caetano, etc. O mesmo se repetiu em outros países, com seus estilos regionais, que ficam sempre em segundo plano, que se tratando da música especificamente, cai nesta sub categoria, de música regional, caipira, etc. Já a música produzida pela elite, é a considerada “boa” e “conceitual”.

Este tipo de pensamento, se repete na política neo liberal que prega uma igualdade perante a lei, e também cultural, mas em nossa sociedade tanto a Justiça, como a nossa Cultura é vista às cegas pela classe dominante e, privilegia sempre a posição social, econômica e política. Sempre há exceções que vão à tela, como os programas globais tipo da Regina Casé, que põe a tal “cultura popular” em evidência.

A retaliação ao funk é também um outro tipo de preconceito. Mesmo a política de esquerda ou de direita retaliam aquilo que, na visão intelectual, “não é música”, pois não tem letra, não tem poesia, não tem notas adequadas com o padrão, ou seja, música de péssimo gosto. Este discurso repete a política da classe dominante. Tudo que vem da “periferia”, dos “guetos” ou do “interior” é ruim. Mas há exceções, muitos dizem, há artistas sertanejos bons, há rappers bons e também alguns funks interessantes, mas, como diz o provérbio português, “as exceções confirmam a regra”.

Ou seja, somos um povo que tem preconceito da nossa própria cultura e julgamos que o gosto de uns é superior ao gosto dos outros e tudo isto por uma questão política, mesmo sem saber.

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Por admin julho 13, 2015 14:33
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