Educação integral ou em tempo integral?

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Por admin março 22, 2016 21:14

Educação integral ou em tempo integral?

Será que um programa de ampliação de tempo de formação de crianças e jovens não deveria integrar a formação escolar com a formação esportiva e cultural num sentido mais amplo? De fato, integral? Caberia ao poder público garantir as condições logísticas de transporte e alimentação para que a Cidade torne-se, de fato, uma Cidade Educadora, como gostaríamos.

Professor Roberto

Professor Roberto

No dia 05/02/2016 o prefeito de São Paulo Fernando Haddad lançou o programa “São Paulo Integral”, que visa aumentar o tempo de permanência dos educandos da Rede Municipal de São Paulo nas escolas, territórios educativos e nas comunidades de aprendizagem.  A ideia é ampliar a jornada dos alunos de 5 para, no mínimo, 7 horas diárias nas 110 escolas que aderiram ao programa no ano letivo de 2016, sendo  37 Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs) e 73 Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs).

Segundo o secretário de Educação Gabriel Chalita “o programa São Paulo Integral traz possibilidade de avanço e melhoria de qualidade da educação. Sua implantação é a melhor solução para o desenvolvimento de crianças e de adolescentes. Ao passar mais tempo na escola, o aluno se dedica com mais afinco aos estudos, aprende melhor, se socializa, pratica atividades lúdicas e esportivas, se alimenta adequadamente, se sente capaz e acolhido. É cuidado integralmente”.

Ninguém em sã consciência, a priori, colocar-se-ia contrário a uma proposta que tem como objetivo principal a ampliação do tempo dos alunos nas escolas. Entretanto, cabem aqui algumas reflexões e questionamentos: o que exatamente são os territórios educativos? Pois bem, pelo jeito, a Administração entende como território educativo a própria escola. Se isso for concretizado como está, corremos o risco de dar aos nossos alunos “mais do mesmo”. Explico: é sabido por todos que as condições gerais das nossas escolas públicas municipais não são das melhores. Se faltam espaços e recursos materiais em muitas delas para atender com qualidade os alunos em seu horário regular, imaginem em horário ampliado?

 A Portaria 7464/2015, que instituiu o São Paulo Integral, nada fala, por exemplo, em redução do número de alunos por sala/turno/agrupamento, condição para a melhoria da qualidade de ensino. A Escola Integral corre o risco de tornar-se um grande depósito de alunos, como já aconteceu com o Programa “São Paulo é uma Escola” na gestão do ex-prefeito Serra com o secretário de educação Pinotti. O tempo de permanência do aluno aumentou, mas com atividades realizadas estritamente na escola e por oficineiros, contratados por ONGs. Foi um verdadeiro fracasso! Será que ocorrerá o mesmo nas unidades que optaram pelo programa anunciado agora? A diferença do programa anterior para o Programa “São Paulo Integral”, do prefeito Haddad, é que as práticas pedagógicas que integram o que a SME denominou como “Territórios do Saber” serão de competência de professores da rede, que poderão receber as horas/aula, além de sua jornada, a título de TEX (Jornada Especial de Trabalho Excedente), ou ainda poder usá-las para serem integrados à jornada de opção. Sem dúvida, um avanço frente à prática do governo anterior. Mas será suficiente para o sucesso do programa atual? Tenho minhas dúvidas.

O município de São Paulo possui diversos espaços e equipamentos públicos como bibliotecas, clubes, CDCs (Clubes Desportivos da Comunidade), CEUs, parques, teatros, museus etc. Será que um programa de ampliação de tempo de formação de crianças e jovens não deveria integrar a formação escolar com a formação esportiva e cultural num sentido mais amplo? De fato, integral? Caberia ao poder público garantir as condições logísticas de transporte e alimentação para que a Cidade torne-se, de fato, uma Cidade Educadora, como gostaríamos.

Da forma como está posto, o Programa “São Paulo Integral” trata-se apenas de um programa que amplia o tempo de permanência do aluno na escola, mas pouco se ocupa com uma escola de tempo integral realmente preocupada com a necessária e desejada educação integral de nossas crianças e adolescentes.

Precisamos avançar na qualidade da educação pública em nosso município, pensando na formação integral  de nossos alunos como seres humanos e cidadãos, seja em tempo integral ou não. É esse o ponto!

 

 

Roberto Bezerra dos Santos /Professor Roberto
Professor da rede pública há 20 anos, sendo desde  2002 na Rede Pública Municipal de São Paulo na EMEF Dep. João Sussumu Hirata

 

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